29/05/2026 14:54:00

Greening continua sendo o maior entrave da citricultura brasileira

Doença afeta quase metade das árvores do cinturão citrícola

Greening continua sendo o maior entrave da citricultura brasileira - Notícias - Mato Grosso digital

Com safra estimada abaixo do ciclo anterior, setor debateu desafios e estratégias durante os Citros em São Paulo

 

A citricultura brasileira enfrenta em 2026 um cenário de pressão dupla: a safra 2026/27 deve registrar queda em relação ao ciclo anterior, com estimativa de 255 milhões de caixas de laranja segundo o Fundecitrus, ao mesmo tempo em que o Greening — principal doença da cultura — já compromete quase 50% das árvores do cinturão citrícola de São Paulo e do sul do Triângulo Mineiro. O alerta foi feito por Dirceu Mattos Junior, diretor do Centro de Citricultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), durante os Citros em São Paulo 2026, evento que reuniu produtores, pesquisadores e empresas do setor.

 

A estimativa divulgada pelo Fundecitrus aponta 255 milhões de caixas para a safra 2026/27, volume inferior ao colhido no ano anterior. Para Mattos Junior, essa queda na oferta deve movimentar as relações de preço ao longo do semestre, tanto para o mercado de fruta fresca quanto para a produção de suco de laranja. Segundo ele, as definições ainda estão em aberto e o momento dos Citros em São Paulo é estratégico para que os diferentes elos da cadeia discutam os caminhos. "A relação de oferta diminui em relação à demanda de fruta, tanto para o mercado de fruta fresca como para a produção de suco de laranja", afirmou o pesquisador, ressaltando que as negociações devem se intensificar ao longo dos próximos meses.

 

O Greening, continua sendo o maior entrave da citricultura brasileira e mundial, na avaliação de Mattos Junior. O problema, causado por bactéria transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, provoca queda de frutos e deterioração da produção — e hoje já atinge uma parcela expressiva dos pomares. "Dentro do cinturão citrícola, afeta quase que 50% das árvores, causando queda de frutos, afetando a produção, assim como a qualidade do suco", declarou o diretor do Centro de Citricultura. A abrangência do problema torna o manejo da doença um dos maiores custos e desafios operacionais dos citricultores da região, que engloba o estado de São Paulo e o sul do Triângulo Mineiro — as principais áreas produtoras do país.

 

Além do impacto direto na produção, o Greening tem comprometido a qualidade do suco de laranja brasileiro — e esse efeito já chegou ao consumidor. Mattos Junior alertou para uma cadeia de consequências que começa no pomar e termina no mercado: a pior qualidade do suco tem resultado em menor consumo, o que por sua vez pressiona as relações de preço em toda a cadeia. "Um suco de menor qualidade tem trazido menor consumo, e isso se reflete em termos de relações de preço que vemos", disse ele, ressaltando que todas as partes do setor precisam observar esse movimento para garantir a continuidade do negócio. O pesquisador destacou que o Centro de Citricultura do IAC tem participado de esforços para manter a atividade sustentável e competitiva diante desse cenário.

 

Mesmo pressionado pelo Greening, o Brasil segue como um dos principais players do mercado mundial de suco de laranja — posição construída sobre dois pilares, segundo Mattos Junior: a capacidade de produzir fruta em condições de clima tropical e a logística de exportação desenvolvida junto com a indústria de suco ao longo de décadas. O pesquisador avalia que o país conseguiu manter produtividade elevada mesmo em área menor e com custos mais altos. O diferencial competitivo fica mais evidente quando comparado a rivais como a Flórida, que foi afetada de forma ainda mais severa pela doença. "Outros países que o Greening afetou de forma bastante severa permitiram que o Brasil continue competitivo", pontuou ele, ao explicar como a pressão sobre os concorrentes abriu espaço para a citricultura brasileira se manter relevante no cenário global.

 

Os Citros em São Paulo 2026 foram descritos por Mattos Junior como um ponto alto em termos de público e expositores, com foco na transferência de tecnologia para o setor. Na avaliação do pesquisador, o evento cumpre papel estratégico ao apoiar uma das atividades com maior valor de produção agrícola do estado de São Paulo — reunindo produtores, empresas, pesquisadores e cooperativas num momento em que o setor precisa definir rumos diante de uma safra menor e dos desafios persistentes do manejo fitossanitário.

 

 

 

Foto: Aline Merladete

Por:  Aline Merladete / Agrolink

 

 

 

 

 

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