30/07/2026 15:11:00
Exportação de maçã cresce 225% no primeiro semestre
Exportações de maçã batem novo patamar
O Brasil registrou forte crescimento nas exportações de maçã no primeiro semestre de 2026, resultado que contribuiu para o desempenho recorde da fruticultura nacional no mercado externo. Levantamento da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados mostra que os embarques da fruta cresceram 225,11% em volume e 223,55% em valor na comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e junho, foram exportadas 42,8 mil toneladas de maçã, com receita de US$ 44,4 milhões.
Segundo a Abrafrutas, o resultado evidencia o fortalecimento da fruticultura brasileira no mercado internacional, impulsionado por investimentos em tecnologia, qualidade e diversificação de mercados. Para entender os fatores que explicam o avanço da cultura da maçã, a entidade consultou a Associação Brasileira dos Produtores de Maçã.
De acordo com o diretor executivo da ABPM, Moisés Albuquerque, o desempenho foi favorecido pela safra 2025/2026, considerada a maior já registrada pelo setor. "Após dois anos de safras muito pequenas, impactadas por fatores climáticos, a safra 2025/2026 é simplesmente a maior da nossa história. Tivemos um aumento significativo da produção, com excelente qualidade, característica da maçã brasileira. Isso permitiu ampliar de forma expressiva nossa presença tanto no mercado interno quanto no mercado internacional."
Apesar do crescimento histórico, Albuquerque afirma que o potencial de exportação poderia ter sido ainda maior. "Nossa expectativa era exportar mais. Tínhamos condições de dobrar e, eventualmente, até triplicar esse volume. O principal fator que limitou esse desempenho foi o conflito no Oriente Médio, um mercado extremamente importante para a maçã brasileira."
Segundo o executivo, os reflexos da guerra foram além da redução das vendas para a região. "Parte expressiva do volume que deixou de ser exportado ao Oriente Médio por países concorrentes do Brasil foi redirecionada para outros importantes mercados onde também atuamos, intensificando muito a concorrência. Além disso, o conflito trouxe problemas logísticos importantes, inclusive com escassez de contêineres, o que dificultou os embarques. Em um cenário sem esses entraves, poderíamos ter registrado um dos maiores volumes de exportação da nossa história."
Mesmo diante desse cenário, a diversificação dos destinos permitiu manter o ritmo das exportações. Conforme a ABPM, a Índia permaneceu como principal compradora da maçã brasileira no semestre, seguida pela Arábia Saudita e pela Rússia, mercado que, segundo a entidade, apresenta elevado potencial de expansão. A fruta também foi embarcada para países da União Europeia, Reino Unido, América do Sul e América Central.
"O mercado da maçã brasileira é bastante diversificado e essa carteira de destinos tende a aumentar ainda mais no próximo ano", afirmou Albuquerque, destacando que a ampliação dos mercados reduz a dependência de destinos específicos e fortalece a competitividade da cadeia produtiva.
Para o segundo semestre, a expectativa é de redução natural no ritmo das exportações devido à sazonalidade do mercado internacional. Como mais de 90% da produção mundial de maçã está concentrada no Hemisfério Norte, período em que ocorre a colheita entre julho e dezembro, a janela de exportação da fruta brasileira se torna mais restrita.
Segundo Albuquerque, os embarques brasileiros concentram-se tradicionalmente no primeiro semestre. Na segunda metade do ano, as exportações representam apenas uma parcela menor do volume anual, já que os principais mercados consumidores passam a contar com produção própria.
O diretor executivo da ABPM avalia que os resultados obtidos refletem investimentos realizados ao longo dos últimos anos. "O setor está colhendo os resultados dos investimentos feitos em pomares de alta tecnologia e elevada densidade, que proporcionam mais produtividade e qualidade. Esse movimento de crescimento das exportações é consistente e tende a se intensificar nos próximos anos. Temos desafios pela frente, mas já demonstramos que temos todas as condições para enfrentá-los e superá-los", concluiu.
Na avaliação da Abrafrutas, o desempenho da maçã representa o momento vivido pela fruticultura brasileira. A entidade destaca que o avanço das exportações em diferentes culturas demonstra que os investimentos em tecnologia, sustentabilidade e abertura de mercados seguem ampliando a competitividade do setor no comércio internacional.
Foto: Agrolink
Por: Seane Lennon / Agrolink
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