22/05/2026 08:09:00

Startups: iFood “fecha o cerco” em supermercado e compra fatia da Daki

Um ano e meio depois de se tornar investidor da Shopper, iFood anunciou a compra de uma participação minoritária na Daki, de menos de 5%

Startups: iFood “fecha o cerco” em supermercado e compra fatia da Daki - Notícias - Mato Grosso digital
Depois de “dominar” o mercado de restaurantes, o iFood tem concentrado esforços para crescer em compras de supermercado e agora anunciou um novo movimento nessa direção. Um ano e meio depois de se tornar investidor da Shopper, a empresa anunciou a compra de uma fatia minoritária na Daki, startup de compras com entrega ultrarrápida.
 
 
Segundo divulgou o iFood em nota enviada ao Startups, a participação adquirida é de menos de 5%, e os valores da transação não foram divulgados. O último valuation divulgado pela Daki foi em 2023, quando levantou uma Série D, com a startup avaliada em US$ 800 milhões. Em 2021, a companhia chegou a ser avaliada como unicórnio, com uma avaliação de US$ 1,2 bilhão.
 
 
A entrada do iFood no captable da Daki é uma evolução de uma parceria operacional iniciada pelas duas empresas em 2024, quando o iFood “plugou” a startup de compras de supermercado em seu ecossistema, utilizando a rede de dark stores da Daki para oferecer produtos com entrega rápida.
 
 
Foi uma parceria semelhante à que o iFood fez na época com a Shopper, e que também rendeu, no futuro, uma aliança ainda mais forte. Vale lembrar que, em novembro de 2024, o iFood liderou uma rodada de R$ 150 milhões na Shopper, juntamente com o Fundo Soberano de Singapura (GIC) e a Minerva.
 
 
Daki em aceleração
Segundo destacam os fundadores da Daki, Rodrigo Maroja, Alex Bretzner e Rafael Vasto, o canal do iFood representa uma demanda incremental para a empresa, complementando o canal próprio da startup, que ainda responde pela maior parte das vendas da companhia. Com o investimento, a empresa pretende acelerar sua expansão para além de São Paulo e Minas Gerais, com abertura de novos hubs em 2026.
 
 
No lado financeiro, os fundadores da Daki também comemoram um momento positivo: segundo eles, a companhia está próxima de alcançar R$ 1 bilhão em receita anualizada, cresce mais de 50% ao ano e recentemente atingiu o breakeven.
 
 
De acordo com Rafael, esse resultado vem de cinco anos construindo uma cadeia logística verticalmente integrada, da compra direta com fornecedores até a entrega ao cliente final.
 
 
“O futuro do supermercado será definido por quem dominar a infraestrutura digital, com uma cadeia logística desenhada para o online e uma plataforma de tecnologia e dados nativa em IA. A Daki construiu essa infraestrutura, cresce em ritmo acelerado e já opera no breakeven. Este investimento marca uma nova fase para a companhia e acelera a digitalização do varejo alimentar brasileiro”, afirma Rafael Vasto.
 
 
Focando nos mercados
O estreitamento da parceria com a Daki mostra que o iFood segue bastante interessado em dominar o segmento de compras online de supermercado, estendendo “seus tentáculos” para além dos restaurantes, segmento em que domina a maior parte do market share, mas tem visto a concorrência aumentar com nomes como 99Food e Keeta.
 
 
Não é a primeira vez que o iFood tenta acelerar no supermercado online, uma arena que chegou a ser bastante rentável nos anos da pandemia, com nomes hoje “finados”, como a Cornershop (da Uber), mas que passou por maus momentos depois do fim do isolamento social. Entretanto, com foco em entregas rápidas e de conveniência, nomes como Daki e Rappi conseguiram se manter.
 
 
Em 2022, o iFood chegou a dar um “passo para trás” em seus planos, descontinuando a maior parte de sua operação interna de delivery de supermercado, em uma decisão voltada para otimizar custos. No Rio de Janeiro, por exemplo, a empresa vendeu sua estrutura de dark stores para o grupo Cencosud.
 
 
Entretanto, pouco tempo depois, começou a remontada através de parcerias, trazendo nomes como Justo, Shopper e Daki para dentro de sua plataforma. Desde então, o iFood vem ampliando sua atuação, e a vertical de mercado da plataforma cresceu 60% em volume de vendas entre março de 2025 e março de 2026, adicionando quase 3 mil novas lojas parceiras e expandindo sua presença para todos os estados do país.
 
 
Contudo, conforme destaca o iFood em nota, o plano é seguir atuando como um marketplace neutro, focado na geração de demanda e no desenvolvimento de soluções logísticas para os parceiros conectados à plataforma. É uma proposta diferente da do Rappi, que ainda aposta em dark stores e logística próprias para garantir seu padrão de rapidez nas entregas.
 
 
“Nossa estratégia para o ecossistema permanece a mesma: o iFood não atua na compra ou armazenagem de produtos. Nosso foco é evoluir tecnologia, logística e inteligência de distribuição para conectar consumidores, varejistas e atacadistas de forma transparente e imparcial”, afirma Arthur Lima, diretor de Mercado no iFood.
 
 
Conteúdo produzido por Startups.com.br
 
 
 
Foto: Divulgação
 
 
 
 
 
 

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