20/03/2026 09:31:00

Ozempic: fim da patente gera enxurrada de pedidos para novos remédios

Anvisa já recebeu 17 pedidos para a produção de remédios com a semaglutida, princípio ativo da caneta emagrecedora Ozempic

Ozempic: fim da patente gera enxurrada de pedidos para novos remédios - Notícias - Mato Grosso digital
Termina nesta sexta-feira (20/3), no Brasil, a exclusividade da semaglutida pela indústria farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, ambas canetas emagrecedoras com a mesma substância, em diferentes concentrações. A medida permitirá que outras empresas desenvolvam remédios com a substância.
 
Com a queda da patente da semaglutida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu 17 pedidos para a produção de semaglutida. Oito deles estão em análise (sete de medicamentos sintéticos e um de droga biológica, como são as canetas de Ozempic e Wegovy). Nove outros aguardam o início da análise.
 
 
A semaglutida é um medicamento análogo ao receptor GLP-1. Ela imita e potencializa o efeito de um hormônio natural produzido pelo intestino. Com isso, tira a fome, retarda o esvaziamento do estômago e auxilia na regulação da glicose.
 
 
Tratamento para diabetes e emagrecimento
  • A popularidade desses medicamentos cresceu rapidamente nos últimos anos. Inicialmente desenvolvidos para o controle do diabetes, eles passaram a ser amplamente utilizados no tratamento da obesidade após estudos demonstrarem redução significativa do peso corporal em muitos pacientes.
  • O medicamento atua no organismo de forma semelhante ao hormônio GLP-1, que regula a glicemia e aumenta a saciedade. O remédio é recomendado para tratamento de adultos com diabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso.
  • Os preços ainda refletem esse cenário de menor concorrência e podem variar entre cerca de R$ 825 e R$ 1.699 por mês, dependendo da dose e da indicação.
 
Movimentação de mercado
A expectativa é que haja três autorizações da Anvisa por semestre. Os pedidos em fase mais avançada são dos laboratórios Ávita Care e EMS. Analistas do mercado consideram possível lançamentos em julho e, com isso, espera-se uma diminuição do preço entre 30% e 40%.
 
 
A própria Novo Nordisk e sua concorrente a americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), cuja patente não caiu, têm reduzido seus preços no que os especialistas veem como uma resposta à movimentação do mercado.
 
 
A Novo reduziu seus preços em até 29,6%, em algumas dosagens. Já o Mounjaro, cujo preço pode beirar os R$ 3 mil, nas doses mais elevadas, tem descontos em programas do laboratório.
 
 
Apesar disso, o fim da patente pode facilitar a incorporação do medicamento ao SUS, ao reduzir o custo unitário e melhorar a relação custo-efetividade, um dos principais critério da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
 
 
Há discussões e consultas públicas em andamento sobre o uso da semaglutida no tratamento de obesidade e diabetes pelo SUS. A inclusão no sistema público, no entanto, depende de análises de eficácia, segurança, custo-benefício e impacto orçamentário.
 
 
O mais notável e generalizado efeito adverso das canetas é o custo muito alto — passa facilmente de R$ 1 mil mensais. O preço inviabiliza ou não permite a continuidade do uso para a maioria das pessoas que precisam do medicamento. Médicos dizem que muita gente que para de usar o faz porque não consegue mais pagar.
 
 
Ciclo natural
Procurada pelo Metrópoles, a Novo Nordisk afirmou que o fim da patente faz parte do ciclo natural de qualquer inovação farmacêutica e que a companhia já se preparava para esse novo cenário.
 
 
“O encerramento de uma patente é uma etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação. A empresa está preparada para atuar com solidez neste novo contexto”, informou a companhia.
 
 
Segundo a farmacêutica, a estratégia continuará baseada em investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos para doenças crônicas.
 
 
“A inovação segue sendo um dos pilares centrais da companhia, com um portfólio de medicamentos transformadores e um pipeline robusto que pode gerar novos avanços no cuidado de doenças crônicas graves”, diz o comunicado.
 
 
A empresa também destacou que o Brasil segue como um mercado estratégico. A fábrica da companhia em Montes Claros, no estado de Minas Gerais, responde por cerca de 25% da produção mundial de insulinas da Novo Nordisk e deve ampliar a produção nacional de medicamentos injetáveis nos próximos anos.
 
 
 
Foto: Getty Images
Por: Laura Braga / Metrópoles
 
 
 
 
 
 

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