19/01/2026 08:14:00
Câmara de Comércio: Acordo Mercosul-UE abrirá portas para PMEs francesas no Brasil
Presidente da Câmara de Comércio França Brasil, Thierry Besse, vê oportunidade de facilitação de internacionalização das companhias francesas de menor porte
Mesmo diante da oposição da França, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia deve beneficiar o país para além da melhoria dos fluxos comerciais. A abertura do Brasil via exportações deve abrir caminho para uma posterior entrada de pequenas e médias empresas francesas no mercado regional, avalia o presidente da Câmara de Comércio França Brasil, Thierry Besse, em entrevista ao InfoMoney.
Sua avaliação é a de que o acordo resolveria um paradoxo das relações comerciais entre França e Brasil, uma vez que, apesar do investimento relevante de empresas francesas no País, o fluxo comercial ainda é baixo, de cerca de 8 bilhões de euros em 2024.
A Câmara de Comércio é uma associação de representação de empresas francesas e brasileiras junto às instituições nacionais.
“O setor de laticínios, queijos, todos esses produtos agroindustriais de alto valor agregado terão mais facilidade em adentrar o mercado brasileiro. Também todo o setor industrial, seja indústria de ponta, setor aeronáutico particular”, diz Besse. “Dezenas de milhares de pequenas e médias empresas, que naturalmente têm mais dificuldade em se internacionalizar, poderão aproveitar essa nova oportunidade”
Para Besse, a abertura do mercado brasileiro, o mais fechado do G20, estabelece as bases para que empresas, em um primeiro momento, exportem seus produtos até formarem bases sólidas o suficiente para decidir, eventualmente, iniciar uma operação no Brasil.
Devido ao número de varejistas francesas no Brasil — intensivas em mão de obra –, as empresas do país europeu são as maiores empregadoras estrangeiras no Brasil com 500 mil empregados, segundo a Câmara de Comércio França Brasil. Em 2024 eram 1,3 mil filiais estabelecidas no País, com faturamento de cerca de R$ 400 bilhões.
O governo francês deu um voto contrário à assinatura do tratado diante da pressão do agronegócio sobre o presidente Emmanuel Macron. “Vejo isso como uma questão de política interna da França, que infelizmente gerou uma leitura irracional do acordo no curto prazo. A França vive um momento político desafiador, mas nós trabalhamos no sentido contrário, celebrando a ratificação”, afirma Bresse.
“O nosso papel é de representação, de atuação junto às instituições brasileiras, para dar essa visibilidade de investimentos franceses e para todas as empresas francesas que ainda não estão presentes no país, e acho que com o advento desse acordo esperamos ver muito mais empresas francesas se interessar pelo mercado brasileiro.”
Leia abaixo a entrevista:
InfoMoney: Como o acordo firmado entre União Europeia e Mercosul deve impactar as relações comerciais, especialmente entre Brasil e França?
Thierry Besse: Nós somos entusiastas dessa integração e, portanto, entusiastas da ratificação deste acordo. Então, como eu mencionei, a França tem um histórico muito forte de investimento aqui no país, um estoque em 2024 de 70 bilhões de euros [cerca de R$ 437 bilhões]. E, paradoxalmente, os fluxos comerciais de importação e exportação entre os dois países ainda são tímidos, de 8 bilhões de euros [R$ 50 bilhões] em 2024.
IM: Que expectativas é possível ter sobre essa mudança no fluxo comercial?
TB: Da França para o Brasil, o setor de bebidas: vinhos, espumantes, champanhe, certamente será beneficiado e é entusiasta. O setor de laticínios, queijos, todos esses produtos agroindustriais de alto valor agregado terão mais facilidade em adentrar o mercado brasileiro. Também todo o setor industrial, seja indústria de ponta, setor aeronáutico particular.
As grandes companhias já estão no Brasil, mas dezenas de milhares de pequenas e médias empresas, que naturalmente têm mais dificuldade em se internacionalizar, poderão aproveitar essa nova oportunidade. O Brasil é o país mais fechado comercialmente do G20. O acordo de livre comércio com o Brasil é algo relevante e que coloca a Europa numa posição vantajosa em relação aos Estados Unidos e a China.
IM: No sentido oposto, quais exportações brasileiras para a França devem aumentar?
TB: O agronegócio brasileiro é tão competitivo que já consegue exportar para a Europa, apesar das barreiras comerciais. Esse fluxo deve se intensificar. A indústria brasileira também.
IM: Em termos práticos, como o acordo facilita a instalação de empresas francesas no Brasil?
TB: Muitas empresas não decidem do dia para a noite se estabelecer em um país. Primeiro, ela tenta acessar o mercado com exportações e, depois, a depender do desempenho do produto ou serviço, pode acabar decidindo estabelecer uma filial ou construir fábricas.
IM: A oposição da França ao acordo pode impactar essa potencial melhora nas relações comerciais promovidas pelo acordo?
TB: É uma questão de política interna e de curto prazo que, lamentavelmente, acabou degenerando para uma leitura irracional do acordo. O momento político da França é desafiador e, infelizmente, ela acabou se posicionando contra a ratificação desse acordo. Nós trabalhamos no sentido contrário, de celebrá-lo com entusiasmo porque temos convicção de que será benéfico tanto para a economia brasileira quanto para a economia francesa.
Foto: Divulgação
Por: Iuri Santos / InfoMoney
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