27/03/2026 08:19:00

ONU alerta para possível crise alimentar devido a conflito no Irã

Fertilizantes são produzidos por países do Golfo Pérsico, que utilizam o Estreito de Ormuz, agora fechado, como rota de transporte

ONU alerta para possível crise alimentar devido a conflito no Irã - Notícias - Mato Grosso digital

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou, nesta quinta-feira (26/3), para o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz para a segurança alimentar, a produção agrícola e os mercados globais.

 

De acordo com o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, caso o conflito no Oriente Médio dure mais de três meses, o impacto será sentido nas decisões globais de plantio para 2026 e anos seguintes. Se durar mais do que isso, a FAO prevê redução na produtividade de culturas que exigem muitos fertilizantes, como trigo, arroz e milho, substituição por culturas fixadoras de nitrogênio, como a soja.

 

“Este não é apenas um choque energético. É um choque sistêmico que afeta os sistemas alimentares em todo o mundo”, disse Torero, em coletiva de imprensa.

 

Isso porque os fertilizantes, usados na agricultura, são produzidos largamente por países do Golfo Pérsico, que utilizam o Estreito de Ormuz como rota de transporte. Por lá, passam até 30% dos fertilizantes comercializados internacionalmente.

 

A FAO cita o Brasil como um dos países mais vulneráveis aos impactos. O país importa 80% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira.

 

Segundo a FAO, o fechamento do Estreito de Ormuz já está provocando custos mais altos para os agricultores em todo o mundo. As projeções indicam que os preços globais dos fertilizantes podem ser, em média, de 15% a 20% mais altos no primeiro semestre de 2026, caso a crise persista.

 

“Os agricultores estão enfrentando um duplo choque de custos: fertilizantes mais caros e o aumento dos preços dos combustíveis, o que afeta toda a cadeia de valor agrícola, incluindo irrigação e transporte”, destacou Torero.

 

Aumento da fome

A ONU já tinha alertado para o risco de 45 milhões de pessoas passarem para à lista de situação de fome aguda por causa de interrupções em operações de ajuda humanitária. A previsão é para caso o conflito continue até junho deste ano.

 

 

 

Foto: Giovanna Bembom/Metrópoles

Por: Thays Martins / Metrópoles

 

 

 

 

 

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