25/06/2026 10:27:00
Banco Central sobe projeção da inflação para 5,2% e do PIB para 2%
Informação consta no Relatório de Política Monetária que destaca concessão de crédito como importante para projeção mais otimista do PIB
O Banco Central (BC) revisou, nesta quinta-feira (25/6), as projeções do crescimento da economia brasileira e da inflação em 2026. Para este ano, a previsão mais recente era de crescimento de 1,6% e, agora, de 2%. Em relação à inflação, a previsão subiu para 5,2%.
As mudanças ocorrem em meio às indefinições da guerra no Oriente Médio entre Irã, Estados Unidos e Israel, e também diante da perspectiva de um dinamismo mais forte em alguns setores da economia, com papel importante de medidas de crédito tomadas pelo governo federal.
Relatório de Política Monetária
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No ano passado, o BC anunciou a mudança na nomenclatura do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), agora Relatório de Política Monetária (RPM). Segundo o órgão, a mudança ocorre para se alinhar com “a prática internacional”.
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Os moldes do Relatório de Política Monetária são os mesmos do Relatório de Inflação.
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O RPM reúne as decisões de política monetária adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), bem como o desempenho da nova sistemática da meta inflacionária, as considerações sobre a evolução do cenário econômico e as projeções para a inflação.
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A partir deste ano, o BC deve divulgar, até o último dia útil de cada trimestre, o relatório de política monetária. A última edição ocorreu no dia 26 de março de 2026.
Especificamente em relação ao PIB, o BC considera como fatores centrais a “surpresa positiva” no resultado do primeiro trimestre, com avanço de 1,1%, e “da melhora nas perspectivas para agropecuária e indústria extrativa”.
“Ela (a revisão para cima) também reflete uma expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia”, destaca o Banco Central.
Os estímulos de crédito citados pelo Banco Central têm relação com programas e medidas do governo federal em relação a esse tema.
Em meados de maio, o Metrópoles mostrou que o Executivo tem mobilizado recursos públicos, seja por meio de gasto ou realocação, para ações que impactam diretamente a vida da população. Nem todas as ações se referem a crédito.
As ações ocorrem em meio à corrida de pré-campanha, na qual o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tenta melhorar a popularidade para garantir a reeleição ao Planalto, cuja votação ocorre em outubro deste ano.
Ao menos R$ 68,52 bilhões já tiveram a movimentação autorizada. As medidas se referem a tentativas de conter a alta dos combustíveis, o refinanciamento de dívidas da população, a retirada de imposto e o aumento no valor distribuído por meio do programa Gás do Povo, bem como à criação de um programa para a segurança pública.
O governo lançou medidas de incentivo ao crédito para troca de frota de veículos pesados, motoristas de táxi e aplicativo e até bicicletas elétricas. Por causa dos efeitos da guerra, foi desenvolvido um pacote bilionário com duas linhas de crédito para o setor aéreo.
Outra medida de realocação de valores que pode ou não se confirmar em despesa é a reserva de R$ 5 bilhões como garantia para refinanciamentos dentro do programa Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0.
Projeções do PIB por setor:
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agropecuária: 1,7% (a anterior era 1%);
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indústria: 2,3% (a anterior era 1,2%); e
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serviços: 1,9% (a anterior era 1,7).
A revisão na agropecuária tem relação com o aumento nas projeções de safra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação à indústria, os destaques são a indústria extrativa e a construção que tiveram desempenho acima do esperado no primeiro trimestre deste ano.
“A projeção de crescimento para o setor de serviços foi revisada de 1,7% para 1,9%, influenciada por surpresas positivas nos dados do primeiro trimestre, sobretudo nos segmentos de serviços de informação e de atividades imobiliárias”, acrescenta o Banco Central no RPM.
Inflação e Selic
As mudanças nas projeções para inflação pelo Banco Central são atribuídas principalmente aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e demais reflexos na economia, bem como a expectativa de um super El Niño, o que pode elevar ainda mais a inflação sobre alimentos.
Na visão do Banco Central, a inflação tende a subir até o fim deste ano, mas mudar o rumo a partir daí.
“Nas projeções do cenário de referência, a inflação sobe até o fim de 2026, ficando mais de dois trimestres consecutivos acima do limite superior do intervalo de tolerância (4,5%) ao redor da meta de inflação, e volta a diminuir em 2027”, prevê o BC.
A inflação é um dos principais pontos observados pelo Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelos diretores do Banco Central, para estabelecer a taxa básica de juros da economia. A elevação das projeções tende a deixar o colegiado mais cauteloso em relação a uma baixa na Selic.
Na última reunião, encerrada no último dia 17, o Copom reduziu a Selic, de 14,5% para 14,25%.
Projeções do mercado financeiro
Os analistas do mercado financeiro esperam que o PIB do Brasil cresça 1,98% neste ano. Os dados estão presentes no relatório Focus mais recente, publicado nessa segunda-feira (22/6).
Confira as projeções de crescimento do PIB para:
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2026: é de 1,98%.
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2027: está em 1,70%.
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2028: continua em 2%.
O governo federal acredita em elevação do PIB de 2,3% neste ano e projeta inflação de 4,5% ao ano.
Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Por: Deivid Souza / Metrópoles
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