26/03/2020 08:20:00

Banco Central reduz projeção de inflação.

As novas projeções para a variação de preços foram divulgadas nesta quinta-feira (26), no Relatório de Inflação (RI) do Banco Central.

Banco Central reduz projeção de inflação. - Notícias - Mato Grosso digital

O Banco Central (BC) reduziu a sua perspectiva para a inflação brasileira neste ano. Segundo a autoridade monetária, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que antes era projetado em torno de 3,5%, agora pode marcar 3% ou até 2,6% em 2020.

 

 

As novas projeções para a variação de preços foram divulgadas nesta quinta-feira (26), no Relatório de Inflação (RI) do Banco Central, e levam em conta os impactos da pandemia do coronavírus na demanda brasileira, a trajetória do câmbio e a variação da taxa básica de juros (Selic).

 

 

O cenário central do Banco Central estima uma inflação de 3% em 2020. É um cenário que considera um câmbio constante de R$ 4,75 e uma Selic constante de 4,25% ao ano.

 

 

"A projeção central associada ao cenário que combina taxas Selic e de câmbio constantes por todo o horizonte de projeção indica que a inflação acumulada em quatro trimestres, após atingir valor observado de 4,31% em 2019, termina 2020 ao redor de 3,0%", informou o BC, que antes previa uma inflação de 3,6% nessas variáveis. Nesse cenário, a inflação estimada pelo BC sobe para 3,6% em 2020 e para 3,8% em 2022.

 

 

A autoridade monetária, contudo, também fez as contas considerando as projeções do mercado financeiro para o câmbio e a Selic em 2020. Nesse caso, o câmbio seria de R$ 4,35 e uma Selic de 3,75% ao ano. Por isso, a inflação chegaria a 2,6%, ante uma perspectiva de 3,5%. Neste cenário, a inflação sobe para 3,2% em 2021 e 3,3% em 2022.

 

 

Meta

 

A meta do BC para a inflação deste ano é de 4%. As duas projeções estão, portanto, mais distantes do centro da meta. Porém, ainda não ultrapassam o piso dessa meta, que é de 2,5%. No Relatório de Inflação, o BC explica, então, o que provocou essa redução das projeções do IPCA. E o maior responsável por essas revisões é o coronavírus.

 

"Os desenvolvimentos relacionados à pandemia do novo coronavírus tiveram papel fundamental na queda das projeções. De um lado, a depreciação acentuada da taxa de câmbio exerce pressões inflacionárias. De outro lado, a redução nos preços de commodities, com destaque para o preço do petróleo, exerce uma significativa pressão desinflacionária. No mesmo sentido, a queda na atividade econômica global e o aumento da incerteza econômica afetam negativamente a demanda agregada, também exercendo papel desinflacionário", explicou o BC.

 

O BC considera que o impacto de desaceleração tem sido bem mais relevante do que a alta do câmbio nos preços. Afinal, como tem dito o mercado, a alta do câmbio não tem sido inteiramente repassada para os preços, em virtude da baixa demanda do mercado brasileiro, que já era sentida no início do ano por conta do lento ritmo de recuperação da economia brasileira e só se agravou com o coronavírus, já que a pandemia aumentou a incerteza sobre a economia brasileira e ainda provocou o fechamento de boa parte do comércio, o que contribui com a redução dos preços.

 

Também contribuiu com essa revisão, ainda que em menor grau, o choque de preços das carnes registrado no final de 2019. Afinal, o aumento das carnes levou para 2019 boa parte da inflação que seria registrada no início de 2020.

 

 

Juros

 

Apesar da perspectiva de uma inflação menor em 2020, o Banco Central ainda não adotou o discurso do mercado de que é preciso reduzir novamente a Selic para estimular a demanda e a inflação. Por isso, ressalta no Relatório de Inflação que "o Copom entende que a atual conjuntura prescreve cautela na condução da política monetária, e neste momento vê como adequada a manutenção da taxa Selic em seu novo patamar".

 

O Copom reduziu a Selic no último dia 18 de 4,25% para 3,75% ao ano em virtude dos efeitos do coronavírus - corte que, por sinal, não estava nos planos do Comitê de Política Monetária (Copom) antes da pandemia. Porém, o mercado defende mais um corte de 0,5 ponto percentual na Selic para conter os impactos econômicos do Covid-19.

 

Diante disso, o Banco Central admitiu, tanto na ata do Copom quanto no Relatório de Inflação, que "elevou a variância do seu balanço de riscos" e que "novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para definir seus próximos passos". O BC ainda garantiu que fará "uso de todo o seu arsenal de medidas de políticas monetária, cambial e de estabilidade financeira no enfrentamento da crise atual".

  

 

Porém, ponderou que é preciso ter cautela nesse momento de incerteza. Isso porque, de um lado, "o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado". Risco que, lembra o BC, "se intensifica caso um agravamento da pandemia provoque aumento da incerteza e redução da demanda com maior magnitude ou duração do que o estimado". Mas, de outro, também há pressões que podem elevar os juros e o índice de preços por si só.

 

"Questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas têm o potencial de elevar a taxa de juros estrutural da economia. Nessa situação, relaxamentos monetários adicionais podem tornar-se contraproducentes se resultarem em aperto nas condições financeiras", defende o BC.

 

 

 

 

 

 

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