22/05/2026 17:01:00

Produção de laranja perde força em 2026/27

Safra paulista de laranja terá menor rendimento

Produção de laranja perde força em 2026/27 - Notícias - Mato Grosso digital

A safra de laranja 2026/27 no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro deve alcançar 255,2 milhões de caixas, o que representa retração de 12,9% em relação ao ciclo anterior, quando foram produzidas 292,9 milhões de caixas. Os dados constam no relatório de acompanhamento da safra divulgado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, com informações do Fundo de Defesa da Citricultura.

 

Segundo o levantamento, mesmo com crescimento de 1,1% na área produtiva, que chegou a 366 mil hectares, a produtividade média caiu 13,8%, ficando em 697 caixas por hectare. A redução é atribuída às condições climáticas irregulares registradas em 2025, marcadas por estiagem entre maio e setembro e temperaturas elevadas, fatores que prejudicaram a primeira florada. O avanço do greening também contribuiu para o recuo da produção.

 

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, as chuvas registradas entre outubro de 2025 e março de 2026 favoreceram a segunda florada. Ainda assim, essa etapa passou a representar 56% da produção total, ante 70% no ciclo anterior, tornando a safra mais tardia e mais suscetível a perdas até o período de colheita.

 

O relatório aponta diferenças expressivas entre as regiões produtoras. O Norte lidera a produção, com estimativa de 71,2 milhões de caixas e produtividade média de 812 caixas por hectare, impulsionado principalmente pelo uso de irrigação. No Sudoeste, a produção deve cair 29,4%, enquanto o Sul registra o menor rendimento médio, com 545 caixas por hectare. Já o Noroeste apresenta perspectiva de crescimento de 35,2% na produção e avanço de 28,6% na produtividade, resultado associado à melhor adaptação hídrica e à ampliação da irrigação.

 

Entre as variedades cultivadas, as maiores quedas são esperadas nos grupos tardios. A variedade Natal deve registrar retração de 33,5%, enquanto Valência/Folha Murcha deve cair 22,8%. Segundo o relatório, o desempenho é impactado pelo avanço do greening e pelos efeitos da colheita tardia. Em contrapartida, variedades precoces apresentam maior resistência, com previsão de crescimento de 2,4% para Hamlin, Westin e Rubi, além de alta de 9,1% para o grupo de outras precoces.

 

O levantamento também indica aumento da taxa de queda projetada para 23,7% e perda total de frutos estimada em 31,3%, cenário que amplia a preocupação com o agravamento fitossanitário dos pomares e os desafios para manter a produtividade nas próximas safras. Além disso, a possibilidade de formação do fenômeno El Niño pode provocar chuvas irregulares, elevando o nível de incerteza para a consolidação da safra.

 

 

 

Foto: Seane Lennon

Por:  Seane Lennon / Agrolink

 

 

 

 

 

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