20/01/2026 08:49:00
Em 1 ano, Trump coloca aliados contra a parede e deixa mundo em alerta
Segundo mandato de Trump completa um ano sob tensão global, com aliados sob pressão, conflitos ativos e ordem internacional em xeque
Um ano após retornar à Casa Branca, Donald Trump governa como uma força desestabilizadora, pressionando aliados, testando limites e mantendo o tabuleiro geopolítico em estado de tensão.
O segundo mandato do republicano, que completa um ano nesta terça-feira (20/1), foi marcado por tarifaços, ofensivas militares, ameaças territoriais, sanções unilaterais e tentativas de se impor como mediador de conflitos.
Desde janeiro de 2025, o republicano imprimiu ritmo acelerado de decisões e ações de alto impacto, deixando parceiros tradicionais em alerta e adversários atentos.
A lógica trumpista já é conhecida: nacionalismo, confronto e pressão máxima como instrumentos de política externa e interna.
A diferença, agora, é o alcance global dessas investidas e o grau de desgaste imposto às alianças que sustentaram a ordem internacional no pós-Guerra Fria.
Governo em modo permanente de choque
Trump iniciou amplo processo de reversão de políticas da gestão anterior. Foram dezenas de ordens executivas para desmontar regulações ambientais, políticas de diversidade, acordos comerciais e normas de controle de armas.
O objetivo declarado era “reconstruir os Estados Unidos”, mas o efeito imediato foi o aprofundamento da polarização interna e a reativação de frentes de atrito com o mundo.
No campo doméstico, universidades se tornaram alvo direto. Cortes de verbas federais atingiram instituições públicas e privadas, sob o argumento de combater a “doutrinação esquerdista”.
Trump voltou ainda a enfrentar um shutdown que se tornou o mais longo da história dos EUA, com 43 dias de paralisação das atividades federais por impasse no Congresso antes de sancionar o projeto que restabeleceu o orçamento.
A política de imigração foi intensificada, e o ICE atingiu níveis recordes de detenções internas, com milhares de imigrantes detidos, muitos sem antecedentes criminais, em operações espalhadas por todo o país.
Um mundo mais tenso após um ano de Trump
Ao completar um ano do segundo mandato, Donald Trump governou fiel ao discurso que o reconduziu ao poder: confronto permanente, nacionalismo agressivo e mobilização constante da base.
Avançou em pautas caras ao movimento MAGA (Make America Great Again) — “Faça a América grande novamente”, em português —, como o perdão aos invasores do Capitólio, o desmonte de políticas de diversidade e a ofensiva contra direitos de minorias, aprofundando divisões internas e multiplicando contestações judiciais.
No exterior, deixou aliados sob pressão e adversários em alerta.
Tarifas, pressão econômica e aliados encurralados
No plano econômico, Trump ressuscitou e ampliou a agenda protecionista. Tarifas sobre aço, alumínio e produtos chineses voltaram à mesa, mas desta vez atingiram também parceiros históricos.
Em abril do ano passado, na data que ele chamou de “Dia da Libertação da América”, Trump anunciou medidas tarifárias aplicadas por ele a 117 países pelo mundo.
O Brasil acabou com uma das tarifas mais altas: 50%. Na justificativa, Trump citou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Meses depois, o norte-americano teve um encontro com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e avançou nas negociações para derrubada das taxas. O norte-americano, após toda a turbulência na relação, fez questão de ressaltar a “química” entre ele e o petista.
Caso Groenlândia
A mais nova ameaça tarifária ocorreu contra países europeus que foram contrários ao plano de anexação da Groenlândia.
Donald Trump voltou a defender a anexação do território autônomo da Dinamarca, alegando razões de segurança nacional e acesso a minerais estratégicos. Diante da resistência europeia, ameaçou impor tarifas progressivas a países que se opusessem ao plano.
A retórica transformou uma bravata recorrente em crise diplomática real, colocando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sob tensão, com um aliado sendo pressionado por outro, justamente o principal financiador da aliança.
Confronto, mediação e contradições
Trump também tentou consolidar a imagem de mediador global, em busca de garantir o Nobel da Paz. Prometeu acabar com a guerra da Ucrânia em 24 horas e encerrar o conflito em Gaza antes mesmo de reassumir o cargo.
Nenhuma das promessas se concretizou.
Na Ucrânia, a guerra continua, diante do Kremlin exigindo concessões significativas.
Em Gaza, um cessar-fogo frágil foi alcançado após intensa pressão sobre Israel e o Hamas, mas o conflito permanece latente.
Ainda assim, Trump buscou protagonismo, oferecendo os Estados Unidos como palco de negociações e lançando propostas improvisadas de paz.
Recentemente, Washington anunciou o início da segunda fase do plano, que inclui a criação de estruturas permanentes de governança em Gaza, entre elas o Conselho da Paz.
Após autorizar bombardeios contra instalações nucleares do Irã, o presidente anunciou dias depois um “cessar-fogo completo” entre Teerã e Tel Aviv, classificando a iniciativa como vitória diplomática — apesar de ter contribuído para a escalada do conflito.
Ofensivas na América Latina
A América Latina também sentiu o peso do segundo mandato da nova Era Trump. O republicano intensificou a retórica de confronto sob o discurso do combate ao narcotráfico.
No fim do ano, afirmou que países envolvidos na produção ou venda de drogas poderiam ser alvo de ataques militares. Em seguida, os EUA bombardearam a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico por uma corte de Nova York.
Recentemente, o republicano recuou sobre a acusação de o líder chavista chefiar o Cártel de los Soles.
A ofensiva incluiu bloqueio marítimo, apreensão de petroleiros e aumento expressivo da presença militar no Caribe. Colômbia e outros vizinhos também entraram na mira.
Para especialistas ouvidos pelo Metrópoles, trata-se de uma releitura contemporânea da Doutrina Monroe: a reafirmação da hegemonia norte-americana em um mundo cada vez mais multipolar.
Corrida armamentista e risco global
No campo estratégico, Trump rompeu com décadas de contenção nuclear ao ordenar a retomada de testes atômicos nos EUA, justificando a decisão como resposta à modernização dos arsenais russo e chinês.
A medida reacendeu temores de uma nova corrida armamentista e fragilizou ainda mais tratados internacionais já pressionados, como o New START, que expira em 2026.
Foto: Joe Raedle/Getty Images
Por: Manuela de Moura / Metrópoles
Leia também
Terça-Feira, 20 de Janeiro de 2026
Segunda-Feira, 19 de Janeiro de 2026
Segunda-Feira, 19 de Janeiro de 2026
Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026
Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026
Sexta-Feira, 19 de Dezembro de 2025
Cuiabá
. Umidade do ar:
21 Jan 2026
27ºC / 19ºC
22 Jan 2026
27ºC / 19ºC
As mais lidas
Economia
Dólar e Bolsa avançam com mercado atento a novas ameaças de tarifas dos EUA
20/01/2026 17:00:00
ENQUETE
EM QUEM VOCÊ VOTARIA PARA SENADOR DE MATO GROSSO 2026 SE AS ELEIÇÕES FOSSE HOJE?
EM QUEM VOCÊ VOTARIA PARA SENADOR DE MATO GROSSO 2026 SE AS ELEIÇÕES FOSSE HOJE?
Voto registrado com sucesso!
Ver resultados


