08/11/2019 07:51:00

Com 25 equipes, a Champions Ligay terá sua quinta edição em novembro; Fundador do primeiro time carioca festeja evolução da Liga: ‘Sexualidade não torna ninguém menor’.

Com 25 equipes, a Champions Ligay terá sua quinta edição em novembro; Fundador do primeiro time carioca festeja evolução da Liga: ‘Sexualidade não torna ninguém menor’. - Notícias - Mato Grosso digital

Há 157 anos, na Inglaterra, nascia o primeiro time de futebol do mundo e, provavelmente, sem sequer imaginar o tamanho que o esporte alcançaria. A luta por visibilidade, a entrada no cenário esportivo como uma das grandes atrações mundiais e as constantes superações de barreiras sempre marcaram a trajetória do esporte. E não é diferente nos dias de hoje. Em novembro, a cidade de Belo Horizonte protagonizará um marco no futebol brasileiro: será realizado o maior campeonato LGBT da história do país. Vinte e cinco equipes disputarão a quinta edição da Champions Ligay, nos dias 15 e 16, numa verdadeira luta por igualdade e respeito.

 

Fundada em 2017, a Liga é pioneira no país e enfrenta o constante preconceito na briga por oportunidades sem discriminação no futebol. Luigi Girotto é fundador do primeiro time LGBT de futebol do Rio de Janeiro, o “Alligaytors”, e esteve presente em todas as edições do campeonato, que ocorre de seis em seis meses. Em conversa com o LANCE!, o dirigente não escondeu a felicidade de se deparar com o crescimento do torneio, que começou com oito equipes, sendo disputado no próprio Rio.

– Tudo isso começou com a necessidade de criar um espaço para gays que se interessam pelo esporte sem ter o medo de expor sua sexualidade para o cenário do futebol. Era uma forma de sair um pouco do ambiente hostil que existe. É um esporte que, infelizmente, ainda é muito machista. E hoje, dois anos depois do início de tudo, ver que seguimos vivos e crescendo é motivo de muita felicidade. Nós queremos e lutamos por igualdade, pelo nosso espaço – disse.

 

E ao mesmo tempo que a Ligay segue conquistando vôos mais altos e novos clubes filiadas, é preciso ser forte para se manter viva em meio às dificuldades financeiras. Sem grandes patrocinadores, as equipes arcam com os custos brutos do Campeonato com verba disponibilizada pelos próprios atletas. Para a edição de novembro, o “Ball Cat’s”, de Manaus, tem o maior gasto entre os participantes. Para disputar o torneio, cada jogador da equipe manauara vai desembolsar cerca de R$ 4.000,00, entre passagens, hospedagem e alimentação para os dois dias de competição.

– Maioria das equipes não possuem patrocínio, os próprios atletas bancam todos os gastos das viagens para poder disputar o Campeonato. Mas é muito legal ver o esforço de cada time para participar. Desde a primeira edição, tivemos jogos com um fair play tão natural, um torneio repleto de empatia, de parceria. Foi o pontapé inicial que faltava no futebol – comentou Luigi.

 

 

CONSTANTE LUTA CONTRA O PRECONCEITO

Mas além do desejo de conseguir ampliar o cenário LGBT no futebol, da luta por novas equipes e por patrocinadores, outra batalha é vista com grande importância por cada integrante das 25 equipes filiadas à instituição: a luta contra o preconceito. Os xingamentos, os olhares tortos e até mesmo a discriminação em razão da sexualidade no meio do futebol ainda são presentes, mas se depender desses craques, por muito pouco tempo.

– Acreditamos que seja muito importante pra sociedade, no geral, até mesmo com o intuito de quebrar paradigmas. O futebol sempre foi muito associado a heterossexualidade, dizem que os gays são sensíveis, que não gostam de futebol. E não é assim. Temos grandes jogadores sim, que poderiam ter espaço em clubes de ponta do futebol. Todo mundo quer igualdade, que a gente não precise de um espaço só nosso. Queremos respeito, igualdade. Esse é o caminho. É muito comum encontrarmos jogadores que fingem não ser gays para poder ganhar um espaço no futebol. A gente está aqui para quebrar isso. Nossa intenção é deixar claro que a homossexualidade não faz nenhum atleta ser menor que outro – analisou.

 

 

CASOS NO FUTEBOL PROFISSIONAL SERVEM DE ALERTA

E enquanto a Liga segue na busca por igualdade no esporte, o futebol profissional se divide em casos de apoio e preconceito. Em 2018, o atacante Francês Olivier Giroud se declarou totalmente apoiador da causa LGBT e chegou a se emocionar durante entrevista ao jornal El País ao afirmar que “É impossível se declarar homossexual no futebol”. O caso repercutiu na imprensa esportiva mundial, que chegou a relembrar os poucos atletas que assumiram a homossexualidade no meio do futebol, entre os mais famosos, o alemão Thomas Hitzlsperger e o inglês Justin Fashanu.

 

Recentemente, o STJD fechou o cerco contra a homofobia no futebol e passou a recomendar que casos do tipo fossem severamente punidos no futebol brasileiro. Dias depois da decisão, o árbitro Anderson Daronco chegou a paralisar a partida entre Vasco e São Paulo, válida pelo Campeonato Brasileiro, após a torcida Cruz-Maltina entoar cânticos homofóbicos na arquibancada de São Januário. Na ocasião, o técnico Vanderlei Luxemburgo chegou a pedir para que os torcedores parassem com os gritos, assim como o jogador Yago Pikachu.

 

E entre os casos de homofobia já ocorridos no futebol, um chamou atenção no Brasil. Em 2007, o jogador Richarlyson, que atuava no São Paulo, viu o então diretor administrativo do Palmeiras, José Cirillo Júnior, insinuar em um programa de televisão, que o atleta seria gay. O meio-campo se declarou heterossexual e seus advogados entraram com uma queixa-crime contra o dirigente. O preconceito ganhou novos capítulos quando o juiz Manoel Maximiniano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal de São Paulo, arquivou o processo dizendo que o que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro porque prejudicaria a uniformidade de pensamento da equipe. Dez anos depois, o jogador voltou a sofrer com caso de homofobia quando foi contratado pelo Guarani. Na ocasião, torcedores criticaram a contratação do atleta e chegaram a realizar protestos no CT do clube. O dirigente do Alligaytors relembrou e lamentou o caso.

– É inaceitável ainda existir esse tipo de preconceito. O caso do Richarlyson é claro aqui no país. O jogador foi atacado até mesmo pelas redes sociais e anos depois do primeiro acontecimento. A gente está aqui para mostrar, justamente, que somos iguais a qualquer outro atleta – finalizou Luigi.

 

Em 2007, quando defendia o São Paulo, meia Richarlyson foi alvo de polêmica em caso de homofobia, mas se declarou heterosexual

 

 

 

Confira algumas curiosidades sobre a Ligay e suas edições já realizadas:
1ª Edição – 2017
Rio de Janeiro – 8 equipes – “Bharbixas – MG” campeão

2ª Edição – 2018
Porto Alegre – 12 equipes – “Bulls – SP” campeão

3ª Edição – 2018
São Paulo – 16 equipes – “Bulls – SP” bicampeão

4ª Edição – 2019
Brasília – 24 equipes – “Beescats – RJ” campeão

5ª Edição – Novembro/2019
Belo Horizonte – 25 equipes
As equipes da 5ª edição
– Afronte Futebol Clube – SP
– Bárbaros Futebol Clube – SP
– Bulls Football SP – SP
– Diversus Futebol Clube – SP
– Futeboys Futebol Clube – SP
– Real Centro Futebol Clube – SP
– Unicorns Futebol Clube – SP
– Alligaytors Futebol Clube – RJ
– Beescats Soccer Boys – RJ
– Karyocas Futebol Clube – RJ
– Barbies Esporte Clube – GO
– Alcateia Futebol Clube – MG
– Bharbixas Esporte Clube – MG
– Manotauros Futebol Clube – MG
– Predadores Futebol Clube – MG
– Capixabas Futebol Clube – ES
– Bravus Futebol Clube – DF
– Capital Soccer DF – DF
– Capivara Esporte Clube – PR
– Taboa Football Clube – PR
– Magia Esporte Clube – RS
– Pampacats Esporte Clube – RS
– Ximangos Esporte Clube – RS
– Associação Atlética Tubarões – SC
– Ball Cat’s Futebol Clube – AM

 

 

 

 

 

 

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